Terça-feira, 24.07.12

Há um ano

 

Há pouco mais de um ano estava de volta a Lisboa. Era muito daquilo que vês hoje, mas muito menos do homem que sou agora. Parti com medo e cheguei com medo. Inquieto, trémulo, receoso, frustrado e plenamente convicto da minha inferioridade face ao resto do mundo.

 

Voltava de um exílio que não tinha sido fácil. Tinha perdido as asas e ainda pior, a capacidade de sonhar. Lembro-me das muitas noites em claro à lareira em que pensei que nunca mais iria voltar. Sonhava com a luz desta cidade e quando fechava os olhos quase ouvia o barulho do metro à primeira hora da manhã. Mas depois havia o dia seguinte, o novo dia, em que tudo era distante e irreal. O que antes tinha sido banal era agora uma utopia.

 

Quando era novo queria ser jornalista e escritor. Fiz rádio, escrevi livros, editei os livros de outros e tive um jornal. Escrevi muita coisa de que não me orgulho e muito pouca coisa de que me orgulho. Mas vivi o sonho da liberdade. De um momento para o outro esse sonho morreu.

 

Precisei de fugir e só Deus sabe como queria mesmo voltar. Cheguei de mochila às costas para aquele quarto - o nosso eterno quarto - e com a certeza de que a minha vida não iria ser na escrita. Vinha estudar o curso que não tinha tirado, vinha fazer a dieta que não tinha feito, vinha ser um homem normal com uma vida normal.

 

O mal da província é precisamente a limitação que a mesma exige ao nosso espírito. Somos livres de sonhar, mas mesmo assim não somos assim tão livres. Existe a sociedade, os cafés e tudo o resto que vive de olhos postos em nós. Parece que a cada passo que damos temos sempre alguém na nossa sombra, a espreitar por entre o ombro e a sussurrar: "não vais conseguir, limita-te a ter uma vida normal".

 

Há pouco mais de um ano voltava a Lisboa e acabei por te conhecer. De um momento para o outro a vida tomou um rumo. Difícil é certo, mas um rumo do qual me posso orgulhar. Voltei a escrever, voltei a sonhar e passei a gostar do que fazia. Reaprendi a beleza das pequenas coisas e como é bom viver com o essencial quando temos ao nosso lado a pessoa que amamos.


As coisas foram-se encaminhando a todos os níveis. Mas nunca como previ quando voltei a Lisboa. Esforcei-me, corri muito atrás de tudo, mudei muito para melhor e muito pouco para pior. Mas finalmente um ano depois percebo que o que essencialmente mudou na minha vida foi tu teres aparecido.

 

E naquela tarde de Verão, ali mesmo junto ao Tejo, seguraste aquele copo de vinho e sorriste enquanto acendia o cigarro. Desde desse dia nada foi igual. A minha vida faz muito mais sentido desde há um ano. Obrigado.

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publicado por João Gomes de Almeida às 01:35 | link do post | comentar
Segunda-feira, 23.07.12

Lembram-se, ali na 5 de Outubro existe um cinema.

publicado por João Gomes de Almeida às 19:30 | link do post | comentar

Q bela entrevista.

 

Para ver e ouvir com atenção. O filme da vida do Pedro Ayres de Magalhães. Um homem maior da nossa música, percursor da modernidade e saudosista orgulhoso da nossa pátria. Um bom contador de histórias, provocador, monárquico convicto e personalidade incontornável da nossa cultura. Um génio segundo Miguel Esteves Cardoso. Seria foleiro dizer que já não se fazem homens assim, mas apetece muito. 

 

Uma nota para referir que o "Baseado numa história verídica" é um programa do Q. Canal que é um autêntico serviço público, ambicioso e que muito tem feito pelo nosso humor, pela nossa cultura e pelos bons conteúdos televisivos nacionais. O Q é o que a nossa RTP deveria ser. É pena.

publicado por João Gomes de Almeida às 19:00 | link do post | comentar

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